quarta-feira, junho 29, 2011

Lisboa: Estacionamento com preços diferentes



Novo tarifário da EMEL

O preço do estacionamento na cidade de Lisboa vai diferenciar-se a partir de segunda-feira, segundo o novo tarifário da EMEL, que garante redução de valores na área verde e aumentos nas denominadas zonas amarela e vermelha.

Segundo a empresa que gere o estacionamento na capital, em 62 por cento dos lugares disponíveis, o preço pode diminuir quase dois euros na quarta hora de parqueamento.
A primeira hora nestes locais, de baixa rotação de estacionamento, custa 0,80 euros.
Na zona amarela, que inclui 35 por cento do total de lugares e com rotação média de estacionamento, o preço aumenta nas primeiras duas horas. Na terceira hora, o valor é quase igual ao actual e na quarta hora irá diminuir.
Correspondendo a três por cento dos lugares, os eixos vermelhos foram identificados como zonas de grande rotatividade e para serem utilizadas por curtos períodos de tempo. O estacionamento nestes locais estará limitado a duas horas.
As zonas vermelhas correspondem a locais como Baixa/Chiado, Avenida António Augusto Aguiar, Avenida da Liberdade, Avenida de Berna, Avenida Guerra Junqueiro, Avenida João XXI, Praça de Londres, Praça Duque de Saldanha e parte da Avenida da República, Avenida de Roma e Campo Pequeno.
A justificação para a nova modalidade de preços diferenciados nas três zonas é a adequação do "comportamento da procura e da oferta e às necessidades de mobilidade sustentável em Lisboa".
Os critérios passam pela quantidade de lojas e serviços, pela procura/oferta de estacionamento à superfície e em parques subterrâneos, assim como pela rede de transportes colectivos e pelo rácio de residentes, alojamentos e veículos por zona da cidade.

Escolas públicas com mais procura



Educação: Crise provoca saída de alunos do ensino privado

A crise económica está a provocar uma crescente transferência de alunos do ensino privado para o público, revelaram ao CM representantes dos directores escolares e dos encarregados de educação.

O fenómeno já se fez sentir no último ano lectivo mas agora assume maior relevância. "A época de matrículas ainda não começou e já há muitos pais que tinham os filhos no privado que se dirigem às escolas públicas para saber se há vagas. Este ano está a acontecer de forma sistemática, muito mais do que no ano passado, em especial no básico e no pré-escolar", afirma Adalmiro Fonseca, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).
O dirigente acredita que as escolas públicas "não terão problemas a absorver os novos alunos, porque a população escolar está a diminuir".
Já a Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap) teme reflexos negativos. "Temos vindo a tomar consciência do problema através das comunicações que as escolas fazem de que há uma transferência do privado para o público, com especial incidência nas grandes cidades", afirma Albino Almeida, presidente da Confap. "Espero que seja possível acomodar os alunos mantendo horários adequados, sem grandes intervalos entre aulas como por vezes sucede", alerta.
Rodrigo Queiroz e Melo, da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), defende que o Governo deve tomar medidas. "Cada aluno que sai de uma privada, sem contrato de associação, para uma pública, passa a custar ao Estado 6 mil euros por ano, quando antes não custava nada. E ainda há prejuízos para alunos e muitas vezes para professores, que perdem o emprego", afirma o dirigente, frisando que "saía mais barato se o País olhasse de frente para o problema e apoiasse essas famílias em dificuldades, por exemplo, com 50 por cento dos custos".

Estudantes preferem usar internet em casa



Educação: Relatório apresentado pela OCDE analisou 70 países

Os alunos portugueses recorrem mais à internet em casa do que nos estabelecimentos de ensino, apesar de Portugal deter uma das percentagens mais elevadas de acesso à internet nas escolas, revela o relatório do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes, divulgado ontem pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

De acordo com o documento, 98% dos 6200 estudantes inquiridos dispõem de um computador em casa (mais 41% do número de alunos registados entre 2000 e 2009). Para João Grancho, presidente da Associação Nacional de Professores, "este é um indicador positivo", que "resulta de um esforço desenvolvido durante os últimos anos". No entanto, não é sinónimo de sucesso escolar. "Estou convencido que o grande número de horas de acesso à internet não será para fins educativos mas sim recreativos". Como tal, "é necessário capacitar os alunos para o exercício adequado das buscas na internet, ensiná-los a conciliar a utilização livre com uma utilização que acrescente valor ao plano da aprendizagem, o que representa um desafio para toda a comunidade escolar". O relatório avança, ainda, que do universo dos 70 países alvo de estudo, Portugal ocupa o 1º lugar na percentagem de alunos que afirmam poder realizar uma apresentação multimédia (mais de 70 %), o que, segundo João Grancho, "reflecte a aposta na aquisição de competências digitais dos alunos". "Hoje privilegia-se a apresentação dos trabalhos com base nas novas tecnologias. No entanto, há o perigo de sobrepor as tecnologias ao processo de ensino, prejudicando a criatividade", adverte.

NORUEGA TEM ACESSO QUASE UNIVERSAL

Tendo em conta que o acesso às novas tecnologias é um dos indicadores de desenvolvimento social, o relatório do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes evidencia as disparidades ao nível da acessibilidade entre os 70 países alvo de estudo. Como tal, enquanto na Noruega e Finlândia há um acesso quase universal à internet, o mesmo não acontece na Indonésia, onde apenas dez por cento dos estudantes inquiridos o podem fazer.
No entanto, o relatório ressalva que em países como Portugal, o uso da internet na escola, maioritariamente utilizada por alunos mais desfavorecidos, "compensa a falta de disponibilidade de computador em casa".